CulturaPOP – A nova cara do Brasil!
É com uma declaração da cantora Gaby Amarantos, musa do tecnobrega (a ‘Beyoncè do Pará’, como alguns a chamam), e outra do autor Filipe Miguez da novela Cheias de Charme, que abrimos o post de hoje:
“Ser brega agora está na moda, é cult. E isso é muito mérito meu, que tive coragem de assumir este comportamento. Sempre acompanhei as tendências, mas não sou it girl. Minha moda sou eu que faço. Ser brega é ser feliz.” – Gaby Amarantos
A brasileira típica é doméstica, negra e se chama Maria.” – Filipe Miguez
E aí, você concorda?
Gaby Amarantos, Banda Calipso, a nova novela Cheias de Charme, o programa Esquenta de Regina Casé e muitas outras manifestações artísticas e culturais estão colocando a classe C debaixo dos holofotes! Amarantos é a inspiração da personagem de Claudia Abreu em “Cheias de Charme”, Chayenne. Se você acha que o visual overdose-de-tudo da personagem é caricato demais para o gosto do público, pense novamente. A maior parte da nossa população se identifica mais com Chayenne e Gaby do que com qualquer modelo/atriz de capa de revista. Voluptuosas e porque não dizer, gostosas, sem vergonha de mostrar o corpo, coloridas, descombinadas, estampadas, brilhosas, purpurinadas elas estão trazendo essa explosão de cores à moda. O figurino de Gaby, antes feito por ela mesma, agora é assinado por estilistas como André Lima, Walério Araújo e paraenses como Zandro Gurjão e Guilherme Rodrigues.
É uma nova brasilidade na moda, uma nova Tropicália até, se você olhar com atenção. Diante da invasão gringa (principalmente na moda e na música), a classe C começa a fazer essa barreira e mostrar o que a maior parte do país, antes isolada economicamente, ama e apoia: o jeito alegre, colorido e sensual do brasileiro. Eles bradam: “Nós somos assim, nós temos orgulho das nossas origens e nada nos impedirá.”
Muitas coisas precisaram mudar pra que isso acontecesse. Você sabia que segundo pesquisas do Data Popular a classe C foi a responsável por quase metade dos gastos com roupas no País em 2011, superando as demais classes sociais nesse quesito? Renato Meirelles, responsável pela notícia, afirma que esses números podem ser explicados pelo pensamento funcional que a Classe C tem em relação a moda. Para as pessoas dessa classe social, as roupas relacionam-se às ambições profissionais. “Esta mulher pensa que para alcançar melhores postos no mercado de trabalho precisa estar bem apresentável, e aí entra a necessidade da moda em suas vidas”, diz.
Segundo o site iMasters, uma série de fatores motivou o crescimento da Classe C no mercado consumidor, dentre alguns fatores podem ser listados:
- Crescimento da economia do país e mais geração de renda e emprego;
- Maior oferta de crédito, mais lojas, mais concorrência e opções para o consumidor;
- Popularização da internet e, consequentemente, da informação sobre produtos e melhores hábitos de consumo;
- Crescente preocupação com educação, que permite melhores empregos e melhores salários.
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